MPT debate a efetividade da Lei de Cotas e os desafios da inclusão de pessoas com deficiência em audiência na Câmara de Campinas

Escrito por ASCOM em .

Encontro promovido pela comissão temática do Legislativo municipal reuniu especialistas para discutir barreiras no mercado de trabalho, combate ao capacitismo e cumprimento da legislação

CAMPINAS (SP) - A efetividade da Lei de Cotas e os entraves para a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho pautaram a reunião pública realizada na manhã desta quinta-feira (20/08) no Plenário da Câmara Municipal de Campinas. O evento, promovido pela Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida do Legislativo campineiro, contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e de especialistas do meio acadêmico, com o propósito de aprofundar o diálogo interinstitucional sobre a aplicação da legislação trabalhista e a erradicação de condutas discriminatórias no ambiente laboral.

A condução dos trabalhos foi realizada pela vereadora Debora Palermo, presidente da comissão parlamentar, que ressaltou a relevância de aproximar o poder público, os órgãos fiscalizadores e a sociedade civil organizada na formulação de estratégias que ampliem a empregabilidade desse segmento populacional no município. Durante a abertura, destacou-se a urgência de superar visões assistencialistas e garantir que o direito constitucional ao trabalho seja plenamente exercido com acessibilidade e autonomia.

Representando o Ministério Público do Trabalho, a procuradora Danielle Olivares Corrêa, que atua como gerente nacional do Projeto Estratégico de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Reabilitados no Mercado Formal de Trabalho da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), apresentou um panorama detalhado sobre as diretrizes institucionais do órgão ministerial em âmbito nacional.

Em sua exposição, a procuradora enfatizou que a mera contratação formal para atingimento de percentuais legais não esgota o dever das empresas, sendo imprescindível a promoção de uma verdadeira cultura inclusiva e o enfrentamento contínuo ao capacitismo. Danielle assinalou que as organizações precisam fornecer adaptações razoáveis e acessibilidade plena em suas múltiplas dimensões (física, atitudinal, comunicacional e tecnológica), de modo a assegurar que o profissional com deficiência disponha de condições equânimes para desempenhar suas funções e construir uma trajetória de ascensão profissional. Segundo ela, a transformação dos ambientes corporativos depende da conscientização de gestores e equipes, desconstruindo estereótipos que subestimam a capacidade técnica dos trabalhadores.

O diagnóstico econômico e as estatísticas regionais foram trazidos pela pesquisadora Guirlanda Maria Maia de Castro Benevides, doutora em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Núcleo de Pesquisas sobre Mercado de Trabalho e Pessoa com Deficiência (NTPcD) do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp). A expositora apresentou dados sobre o panorama da contratação na Região Metropolitana de Campinas, demonstrando as lacunas existentes entre as vagas reservadas e o quantitativo efetivamente preenchido pelas empresas que se enquadram nos critérios da Lei nº 8.213/1991.

Ao longo da audiência, os participantes debateram a necessidade de fortalecimento das ações de fiscalização, a capacitação continuada dos setores de recursos humanos, o estímulo à qualificação profissional compatível com as demandas do mercado moderno e a articulação entre as redes municipais de assistência, educação e trabalho. O debate na sua integralidade, com as manifestações de todos os expositores e intervenções do público, está disponível na íntegra por meio da transmissão no YouTube realizada pela TV Câmara.

Imprimir